A difícil arte de fazer Comércio

Dezembro chegou, já está na segunda quinzena e, com ele, o tradicional aquecimento do comércio para as compras de fim de ano. Em Catanduva, as lojas estão funcionando em horário estendido, até as 22h, na tentativa de atrair os consumidores que deixam as compras para a última hora. No entanto, apesar da expectativa por um aumento no movimento, os comerciantes enfrentam desafios cada vez maiores, como a forte concorrência das vendas online e a cautela da população na hora de gastar, reflexo do cenário econômico atual.

Tempos passados

Em seu início, as terras de Cerradinho apresentavam uma economia básica de subsistência, que acabava não dando conta das necessidades de nossos primeiros moradores, causando dependência de vilas vizinhas para poder se abastecer. Um grande exemplo disso é a dependência que nossa pequena vila tinha em relação à Cordão Escuro, hoje Palmares Paulista, na época, grande entreposto comercial.

Em nosso povoado, o desenvolvimento comercial começou a ganhar corpo após a instalação da Estrada de Ferro, em 1910, já que a ferrovia trouxera grande movimentação nesta área.

Devagar, o comércio foi ganhando corpo e com o passar dos anos foi crescendo de forma gradativa, até que em 1929 se deparou com um problema mundial que assolava vários países, inclusive o Brasil: a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque.

Nesse momento, um grupo de homens pensantes de nossa cidade se reuniu na tarde do dia 10 de agosto de 1930, na Sociedade Italiana de Catanduva e fundaram a Associação Comercial e Industrial de Catanduva, buscando soluções para continuar produzindo e comercializando seus produtos sem sofrer de forma agressiva os efeitos da crise.

Foram vários anos de luta dessa associação e dos próprios comerciantes locais para conseguirem alcançar as melhores condições de trabalho, dignidade, competitividade e realização profissional.

Inúmeros foram os comerciantes que se destacaram em Catanduva, dando emprego para diversas famílias através de seus estabelecimentos. Para não citar muitos e esquecer de alguns, vou relembrar apenas um grande nome ligado ao comércio catanduvense: a figura do Sr. Alípio Gomes, conhecido pela frase “fiado só no Alípio”.

Alípio Gomes

O Sr. Alípio Gomes nasceu em Elisiário, no dia 04 de maio de 1924. Veio para Catanduva trabalhar como balconista no comércio local, e como complementação de renda, também desempenhava a função de garçom.

Com o passar dos anos, o Sr. Alípio foi tomando gosto pelo comércio e começou a se envolver nas atividades ligadas a esse ramo, sendo ele um dos fundadores do Sindicato dos Empregados do Comércio e Sindicato do Comércio Varejista de Catanduva.

Um dos grandes destaques do Sr. Alípio Gomes foi sua forma inovadora de fazer comércio, utilizada em sua loja que se localizava na rua Alagoas, entre as ruas 24 de Fevereiro e Fortaleza.

Criada em 1959, a “Loja do Alípio” ficou conhecida na cidade pela utilização do slogan “Fiado só no Alípio”, devido à forma de venda oferecida por esse comerciante. Vale destacar que naquela época a honestidade estava muito mais presente na vida das pessoas.

A frase ficou tão conhecida, que em muitos estabelecimentos que não se vendia fiado, quando algum cliente perguntava ou forçava uma venda a prazo, o comerciante até brincava, “fiado só no Alípio”.

Em 2007, por sugestão do então presidente da Câmara Municipal de Catanduva, vereador Marcos Crippa, foi-se dado o nome deste comerciante como forma de homenagem ao Shopping Popular “Alípio Gomes”, destinado a abrigar ambulantes e que está localizado na esquina da avenida São Domingos com rua Pará.

O Sr. Alípio Gomes faleceu em Catanduva, no dia 29 de novembro de 2002, com 78 anos de idade.

Fonte de Pesquisa:

 - Livro “A História de Catanduva de A a Z”, de Vicente Celso Quaglia.

 

Foto: O Sr. Alípio Gomes foi um dos grandes comerciantes que nossa cidade já teve. Dono de um jeito inovador de se fazer comércio, criou o famoso slogan “Fiado só no Alípio”, que ficou muito conhecido em Catanduva. Nesta foto, juntamente com sua esposa, Dona Aparecida

Autor

Thiago Baccanelli
Professor de História e colunista de O Regional.